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A BUSCA DA XOXOTA PERFEITA

Um dos painéis que compõem o "Grande Mural da Vagina", do artista plástico inglês Jamie McCartney
A Crescente busca das mulheres pela realização da cirurgia plástica íntima está se tornando uma preocupação para os ginecologistas. Lábios vaginais recauchutados e outros retoques na genitália feminina não podem ser facilmente exibidos como peitões de silicone ou barriguinhas lipoaspiradas. Mesmo assim, é o último fenômeno das “taradas” por intervenções plásticas.
O procedimento foi amplamente divulgado pela imprensa brasileira após duas subcelebridades Andressa Urach e Graciella Carvalho (vice Miss Bumbum 2011), recorreram à intervenção cirúrgica na "xoxota" para deixa-la mais bonitinha e fotogênica!
O site inglês The Good Surgeon Guide divulgou uma pesquisa reveladora: um grande número de mulheres britânicas está insatisfeita com a aparência de suas xoxotas e até evitam fazer sexo por causa disso.
Entre as 1331 mulheres pesquisadas, 22% disseram que gostariam de fazer a cirurgia de intima. Além disso, 26% das entrevistadas assumiram que passaram pela cesária quando tiveram filhos apenas para preservar a beleza de suas vaginas.
Mas por que elas fariam uma cirurgia estética nas partes baixas?
Considerando que 19% afirmaram optar pela abstinência sexual por considerarem a vagina feia, elas têm razão em querer melhorar a aparência. Outros dois motivos apontados: 14% acreditam que a cirurgia melhoraria a vida sexual e 14% desejam ter mais confiança na cama.
No Brasil, médicos apontam um crescimento de 50% deste procedimento nos últimos dois anos. As brasileiras recorrem à plástica vaginal ou perineoplastias para corrigir danos causados pela maternidade, envelhecimento ou porque vivem infelizes com o que a natureza lhes deu. O ginecologista Paulo Guimarães, expert em "design vaginal", dá cursos de formação em cosmetoginecologia  e revejunescimento Íntimo para médicos. Nos treinamentos 900 mulheres são operadas por ano, a preços “populares”. No consultório, "com atendimento personalizado e sigilo", afirma fazer 15 cirurgias íntimas por mês. "Mulheres com lábios muito grandes têm vergonha de mostrar o corpo e sentem desconforto ao usar roupas justas" diz o medico.



QUAL O PADRÃO ESTÉTICO DA XOXOTA?

Como em relação a narizes, peitos e bundas, o padrão estético muda conforme a época e o país. "Nos EUA, as mulheres querem vagina pequena, cor-de-rosa. As brasileiras querem no mesmo tom de pele do das mãos, com lábios de 1 cm a 1,5 cm - "É o modelo imaginário do órgão de menininha, o formato “sou virgem", interpreta a psicóloga Rachel Moreno.

O QUE É UMA XOXOTA CONSIDERADA "PERFEITA"?

Assim como as estatísticas brasileiras sobre cirurgia íntima, as medidas são imprecisas. Segundo estudo no "British Journal of Obstetrics and Gynaecology", a diversidade de tamanhos observada nos lábios vaginais da população é imensa, o que amplia o espectro de normalidade. O mesmo estudo aponta que trabalhos anteriores definiram como acima do normal lábios com mais de 4 cm de largura, mas essa medida deve ser revista e ampliada. Quando os lábios menores ultrapassam os maiores, a tendência é serem considerados candidatos à cirurgia. Mas não se trata de uma imperfeição física.
Para chegar à suposta xoxota perfeita, a mulher passa 50 minutos em posição ginecológica (deitada com as pernas abertas e flexionadas), enquanto o médico corta e costura suas partes íntimas. Os principais riscos, segundo os médicos, são sangramentos e infecções, principalmente se algum ponto abrir. "Como a região é muito manipulada na hora da higienização, há sempre o perigo de algum ponto se soltar", diz o cirurgião plástico Marcelo Wulkan.



Na família da psicóloga Júlia, 27, todas as mulheres têm os pequenos lábios desenvolvidos demais, mas só ela se incomodou a ponto de fazer a cirurgia para diminuí-los.
"Eu sempre gostei de esporte, corro, ando de bicicleta, frequento academia. Além de me sentir estranha porque os meus lábios vaginais eram diferentes, isso começou a incomodar na hora de vestir uma calça mais justa."
Há dois meses, ela aproveitou a cirurgia plástica para colocar implante nos seios e retirou o que considerava excessivo em sua vagina.
Para Júlia, o problema não tinha relação com a vida sexual. "Foi mais para meu conforto mesmo, para colocar uma roupa de ginástica numa boa. Tanto que, para mim, no pós-operatório foi mais difícil ficar sem malhar do que sem poder transar."
A cabeleireira Cristina, 32, diz que a mudança estética representou uma melhora também na vida sexual.
"Tenho menos vergonha na hora de transar, não precisa ser de luz apagada, tudo fica melhor."
Com menos de dois meses de pós-operatório, Cristina ainda precisa ir devagar à exploração dos novos horizontes sexuais. "Depois da operação o local fica mais sensível, tem que colocar um gelzinho para ajudar a penetração e tomar mais cuidado porque a vagina fica mais justinha."
E o namorado, gostou? "Ele disse que o resultado foi muito bom, que estava tudo ótimo. Mas, na verdade, acho que ele não se incomodava nem um pouco com o tamanho dos meus lábios. A incomodada era eu."
Para a modelo Andressa Urach, 24, "a 'quarentena' de sexo foi a pior parte da cirurgia".  Andressa adorou o resultado da intervenção que a deixou com menos de 0,5 cm de lábios internos. "Nos primeiros dias incomodou bastante, inchou, foi desconfortável para fazer xixi. Mas agora está linda, ficou novinha, sabe?", diz.
A modelo assume que só fez a operação por causa do resultado estético. "Meus lábios não eram grandes a ponto de me deixar constrangida. Não atrapalhava no sexo, não incomodava.
"A vagina não é um órgão muito bonito. Dá para ficar melhor." Andressa Urach

Graciella Carvalho, a vice do Miss Bumbum 2011 afirma que realizou um sonho ao se submeter a uma cirurgia íntima. O procedimento recuperou o formato de seu clitóris, que teve o volume aumentado por causa do uso de esteróides anabolizantes quando ela tinha 18 anos. “Era muito magrinha e queria ganhar corpo. Durante um ano usei anabolizantes. Mas hoje me arrependo e tento correr atrás do prejuízo”, disse Graciella ao site EGO. Desde que fez uso de anabolizantes, Graciella notou um aumento na sua região íntima e apesar de garantir que os homens nunca reclamaram, ela não estava feliz. “Achava feio. Era uma coisa minha, eu que não gostava. Os homens nunca reclamaram e isso nunca atrapalhou minha vida sexual”, garantiu.
A cirurgia devolveu a autoestima a Graciella. Hoje me olho no espelho e vejo o que gosto.
“Realizei o sonho de ter minha periquitinha de menininha de volta”. Graciella Carvalho




RISCOS DA CIRURGIA ÍNTIMA

Pode haver perda de sensibilidade na xoxota - "Querendo ou não, você está tirando áreas sensíveis, cheias de terminações nervosas e vasinhos. Alguma coisa vai perder”.
Dói? Nos primeiros dias, a sensação é de queima, Logo após a cirurgia, a região incha e pode ficar roxa.
Sexo? Só depois de 30 dias, pelo menos. É o mesmo período para parar de praticar atividades físicas muito intensas ou andar de bicicleta.
Passada a abstinência, dizem os médicos, a mulher está liberada para desfrutar dos benefícios da cirurgia, como ficar mais à vontade durante a relação sexual e na academia de ginástica, o que teria como consequência a melhora de sua autoconfiança.
A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia alerta seus membros sobre riscos dessa onda.
"É preciso muito cuidado para mexer em locais com tantas terminações nervosas. As cirurgias íntimas são vendidas como soluções para dificuldades sexuais, mas, se você mexer onde não era para mexer, você piora o que era para melhorar", diz Gerson Lopes, presidente da comissão de sexologia da entidade.

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